Empresa zumbi: o diagnóstico que todo empresário deveria conhecer

Empresário, papo de adulto. Qual zumbi é pior: o de The Walking Dead ou o de Guerra Mundial Z?

Já ouvimos bons argumentos para os dois lados. De um lado, aquelas hordas enormes e lentas de mortos-vivos desfigurados. Do outro, zumbis menos feios, mas que correm, escalam e fazem parkour.

No fim das contas, os dois são perigosos e uma aberração. E é por isso que usamos o termo “empresa zumbi”.

 

O que é uma empresa zumbi


São empresas que até parecem estar vivas: operam, faturam e empregam… mas não conseguem crescer nem lucrar de verdade. Elas passam a depender de crédito e renegociações sucessivas, entrando em um ciclo em que pagam juros continuamente, enquanto a dívida parece nunca diminuir.

Por fora, o negócio segue de pé. Por dentro, ele já não anda pelas próprias pernas. O termo não é só uma brincadeira.

“Empresa zumbi” é um conceito usado também na economia para descrever negócios que sobrevivem pagando juros, mas sem gerar caixa suficiente para se capitalizar ou investir no próprio crescimento: presos em um ciclo de sobrevivência, não de expansão.

 

Os sinais de que sua empresa pode estar infectada


Antes de o quadro se agravar, alguns sintomas costumam aparecer. Vale fazer uma autoavaliação honesta:

1) O capital de giro é usado recorrentemente só para fechar o caixa do mês

2) Sua empresa renegocia com frequência a mesma dívida, no mesmo banco

3) A parcela das dívidas cresce mais rápido que o faturamento

4) Um novo empréstimo é tomado só para pagar um empréstimo anterior

5) A sensação predominante é “trabalhar para o banco”, não para o próprio negócio

Se você se identificou com dois ou mais desses pontos, esse é o momento de investigar mais a fundo, antes que o problema deixe de ser um sintoma e passe a ser a própria doença.

 

Como o vírus entra


O grande plot twist dessa história é que, geralmente, esse “vírus zumbi” entra no hospedeiro por meio daquilo que deveria ser um remédio: o crédito bancário.

O mesmo contrato que permite empréstimos, financiamentos e cartões de crédito é o contrato que amarra o empresário a uma dívida infindável. O que começa como solução de caixa (um capital de giro, um desconto de duplicatas, um empréstimo para fechar o mês…) pode, aos poucos, se transformar em uma dependência estrutural: um novo crédito só para pagar o anterior, juros que corroem a margem e uma sensação de que, por mais que se pague, a dívida nunca diminui.

Boa parte desse contágio tem uma explicação técnica, escondida na letra miúda dos contratos. É comum encontrarmos, na análise de contratos bancários, cláusulas questionáveis:

Capitalização de juros de forma não transparente,
Tarifas cobradas de forma cumulativa e indevida,
Taxas muito acima da média praticada pelo mercado,
Renovações automáticas de dívida que empurram o problema para frente sem resolvê-lo.

Cada uma dessas cláusulas, isoladamente, parece pequena. Juntas, são o combustível que mantém o zumbi de pé.

 

Existe cura


A boa notícia é que, diferente da ficção, existe cura para esse quadro. Ela passa pela revisão jurídica da situação, acompanhada de estratégias extrajudiciais que alcancem descontos e formas sustentáveis de pagamento.

Aqui vale um esclarecimento importante: revisão jurídica não significa, necessariamente, processo na Justiça. Existem dois caminhos possíveis. A via judicial, quando é preciso levar a discussão a um juiz, e a via extrajudicial, quando é possível negociar diretamente com a instituição financeira, com base técnica e jurídica, para obter descontos e novas condições. Na prática, a via extrajudicial costuma ser mais rápida, menos desgastante e menos custosa. E, sempre que viável, é o primeiro caminho a ser explorado.

De forma geral, esse processo significa reorganizar as dívidas com base técnica, identificar abusividades nos contratos, negociar condições mais realistas com as instituições financeiras e recuperar o fôlego necessário para que a empresa volte a crescer, e não apenas a sobreviver.

 

O diagnóstico antecipado faz a diferença


Seja qual for o pior zumbi, o de
The Walking Dead ou o de Guerra Mundial Z, uma coisa é certa: zumbi bom é zumbi apenas na ficção.

Se a sua empresa opera no automático, sobrevivendo de renegociação em renegociação, esse é o momento de olhar com atenção para o que está por trás dos números. Quanto antes o problema é identificado, maiores as chances de reverter o quadro antes que ele se torne irreversível.

Se a sua empresa estiver nesse quadro clínico perigoso, consulte um profissional especializado em Direito Bancário.

 

 

O escritório Teles e Stanquevicz Advogados atua exclusivamente com Direito Bancário, com mais de 1.300 clientes atendidos em 16 estados. Se você reconhece esse cenário na sua empresa, envie seus contratos bancários para uma análise inicial com a nossa equipe.

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